domingo, 6 de abril de 2008

A Sociedade Bíblica em terras lusas (Parte I)

Foi em 1809 que ocorreu em território nacional a primeira distribuição de edições bíblicas sob iniciativa da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, sedeada em Londres. Nessa altura, foi decidido imprimir 5 mil exemplares do Novo Testamento na tradução de João Ferreira de Almeida (n. Torres de Tavares/Mangualde, 1628 – f. Batávia/Java, 1691), pastor e missionário calvinista no Extremo Oriente, ao serviço da Igreja Reformada Holandesa. Desde então, a Sociedade Bíblica tem realizado um trabalho consistente de tradução, produção e distribuição da Bíblia, no todo ou em parte, tendo o mesmo sido naturalmente reproduzido noutros territórios de língua portuguesa como Brasil (1948), Moçambique (1966) e Angola (1967).

sábado, 5 de abril de 2008

Moreira sobre o Protestantismo Português

Em homenagem ao "patrono" do nosso grupo listamos aqui um conjunto de obras da autoria de Eduardo Moreira sobre o protestantismo português e a sua história. Periodicamente actualizaremos esta bibliografia estendendo-a a outros autores.

Veja aqui o documento:
Bibliografia do Protestantismo Português

A Reforma Religiosa em Portugal ou História dos Evangélicos em Portugal (Parte V)

[A Nova] Igreja Episcopal Espanhola

Com alguns antigos membros da Igreja Espanhola, fundada na Rua Nova de Almada, em Lisboa, pelo ministro evangélico Gomez e, com novos aderentes, o ministro evangélico Angel Herreros de Mora, funda uma outra Igreja Episcopal Espanhola, na Praça das Flores, em Lisboa.

Mais tarde, com base nos 39 Artigos da Igreja Anglicana, organiza-se a Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica, em 1878, com a ajuda do então capitão da Capelania Anglicana de Lisboa, Thomas Godfrey Pembroke Pope (1837-1902), que estava na capitania portuguesa desde 1864. O primeiro Sínodo da Igreja Lusitana realizou-se no dia 8 de Março de 1880.

O primeiro Bispo eleito português da Igreja Evangélica Lusitana, foi o ministro evangélico Joaquim dos Santos Figueiredo.

Nos anais desta Igreja constam grandes nomes da família evangélica portuguesa, entre outros, Santos Ferreira, Ferreira Fiandor, Luís Pereira, Eduardo Henriques Moreira, Daniel de Pina Cabral e António Ribeiro Jr. O seu actual Bispo é o senhor Fernando Soares.

(Continua)

António Costa Barata
Amora, 26 de Janeiro de 2001

sexta-feira, 4 de abril de 2008

A Reforma Religiosa em Portugal ou História dos Evangélicos em Portugal (Parte IV)

Igreja Presbiteriana Portuguesa

Madeira – Funchal: As primeiras reuniões de oração feitas por evangélicos ingleses, da família presbiteriana, em território nacional, realizaram-se no Funchal, dirigidas por James Halley. Estava-se em 1837. Neste ano mais dois grandes acontecimentos importantes se deram em Lisboa, a saber, a Colónia Britânica funda uma escola para os filhos dos seus súbditos menos favorecidos, socialmente falando, e na revista O Panorama, dirigida por Alexandre Herculano, insere uma bela apologia das Escolas Domingueiras, isto é, das Escolas Dominicais, das quais só em 1854, se fundaria a primeira em Portugal, também em inglês.

Em Outubro de 1838 desembarca no porto do Funchal, o casal Kalley. Ali iam à procura de clima para que a saúde dos seus corpos fosse melhor, mas, ao contemplarem as necessidades dos madeirenses, sentiram [desejo de] ajudá-los. Com o que era seu e não de uma missão religiosa, fundaram um pequeno hospital e algumas escolas em várias localidades da ilha, a tal ponto meritório, que as próprias autoridades civis, em 1842, prestaram homenagem pública ao Dr. Kalley.

Quando menos se esperava, levantou-se uma grande perseguição contra o trabalho e contra a família Kalley que, de 1843 a 1846 foi sempre piorando, a tal ponto que o casal Kalley e muitos madeirenses se viram forçados a deixar a ilha.

Algum tempo antes de 1846, outro ministro presbiteriano tinha sido enviado para o Funchal, tratava-se do ministro evangélico William H. Hewitson. Foi este quem organizou primeira Igreja Presbiteriana em território nacional, no ano de 1845. Foi organizada na clandestinidade, por certo, pela nova tolerância das autoridades.

Em Lisboa, a primeira comunidade foi organizada mais tarde, aí por volta de 1866, sendo um dos seus ministros nos primeiros tempos, o ministro da Igreja Presbiteriana Livre da Escócia, Robert Stwart. Esta Igreja existe ainda hoje, estando actualmente situada na Rua Tomás da Anunciação, 56, em Lisboa.

(Continua)


António Costa Barata
Amora, 26 de Janeiro de 2001

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Balthasar Hubmaier: Março de 1528 - Março 2008 (Parte IV)

Por fim os últimos artigos publicados em 1928 no Semeador Baptista sobre Hubmaier. Destaco aqui As 18 teses de Huebmaier e A conversão de Huebmaier.

As 18 teses de Huebmaier
Uma questão difícil na Reforma
O dócil espírito de Huebmaier
Hebmaier preso em Zurich
-
A fé dos anabaptistas
A conversão de Huebmaier
O conhecimento que Huebmaier tinha da escrituras
(Semeador aptista, nº17, 10.Mar.1928).

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Balthasar Hubmaier: Março de 1528 - Março 2008 (Parte III)

Hubmaier escrevia em 1525, na Morávia, a sua Confissão de Fé que teria várias edições nos anos seguintes. Um artigo simples, claro e pouco controverso onde o autor aponta os principios norteadores da sua fé. Seria um dos seus principais textos.

Aqui ficam mais alguns artigos:

O Martirio de Hubmaier
-
A Confissão de Fé de Huebmaier, 1525,
Huebmaier e o comunismo cristão,
O que Huebmaier pensava a respeito da morte dos Hereges,
Franco apelo de Huebmaier a todos os cristãos.
(Semeador Baptista, nº17, 10.Mar.1928).

terça-feira, 1 de abril de 2008

Balthasar Hubmaier: Março de 1528 - Março 2008 (Parte II)

No seguimento do texto de ontem, deixo aqui mais dois artigos publicados na homenagem do Semeador Baptista a Hubmaier em 1928.

"Balthasar Huebmaier" por Frederick L. Anderson (parte I)

"Balthasar Huebmaier" por Frederick L. Anderson (parte II) e "Nunca é tarde" por M. Cerqueira

(Semeador Baptista, nº16, 15.Fev.1928).

segunda-feira, 31 de março de 2008

Balthasar Hubmaier: Março de 1528 - Março 2008 (Parte I)



Nascido sensivelmente em 1480 em Friedberg, Balthasar Hubmaier foi um dos principais reformadores do século XVI. Quando Martinho Lutero afixa as 95 teses já Hubmaier estava ligado ao meio académico, o que lhe permitiu ser uma das principais personagens da primeira vaga reformadora.

De facto, o reformador da Baviera formara-se em Ingolstadt onde também recebera o título de doutor, tendo sido aluno de Johann Eck. Pela sua eloquência foi várias vezes chamado a pregar na catedral de Ratisbona, onde veio ocupar lugar de destaque.

Em 1523, em Zurique, após um debate com Zwinglio, Hubmaier afirma ser contra o baptismo infantil. Dois anos depois vem a ser baptizado. Neste ano toma parte activa na Revolta dos Camponeses onde é um dos líderes.

Quer por motivos políticos, quer por motivos religiosos, Hubmaier reuniu pouco consenso à sua volta. Na Morávia ganhou grande peso o que levou Fernando I a mandá-lo prender em Julho de 1527.

Foi torturado ele e a sua mulher e condenado à morte na fogueira que ocorreria a 10 de Março de 1528. Três dias depois seria a vez de Elizabeth Hueglein Huebmaier por afogamento (meio de execução muito comum na época para aqueles que defendiam o baptismo por imersão).

Voltarão dias de perseguição como os de Março de 1528? Cremos que sim! (Semeador Baptista, Fev. 1928).

Em Maio de 1928 o mundo baptista prestou homenagem a este reformador. Portugal não foi excepção. Hubmaier talvez seja o mártir que os baptistas portugueses nunca tiveram, o homem perseguido pelas autoridades e condenado à morte sem se retratar dos seus princípios. Em Portugal nos séculos XIX e XX é comum constatar entre os protestantes um certo sentimento de perseguição por parte de Estado e da Religião. Kalley e os seus seguidores serão muitas vezes invocados (curiosamente – ou talvez não – poucas vezes pelos baptistas) como o paradigma dessa opressão. Talvez esteja aqui patenteada uma necessidade de identificação com os apóstolos e com o mundo paleocristão.

Passados 480 anos da condenação de Hubmaier, deixo aqui alguns artigos publicados em 1928 pelo jornal Semeador Baptista:

"A Morte dos Heróis" (Semeador Baptista, nº16, 15.Fev.1928).

domingo, 30 de março de 2008

Herculano e a Religião (Parte III)

Dois grandes inimigos chegam junto da secretária – Espaço e Tempo – que obrigam a parar. O que não haveria para comunicar sobre O Lutero da Ajuda, relacionado com as ordens religiosas, com o casamento civil, com os jesuítas, com o clero em geral; bem como sobre Herculano e as Conferências do Casino, e o ensino em Portugal, etc.

Antes de finalizar, bom será que se diga: Alexandre foi um lutador convicto, à semelhança de outras sumidades intelectuais da época, nacionais, como o Bispo de Viseu, estrangeiras, como Rui Barbosa, no Brasil, João Dollinger, na Alemanha. Todos eles eram humanos, erraram, mas a eles, como a tantos outros, muito deve o mundo laico e o religioso. Alexandre Herculano foi um cristão leigo que daria cartas à grande maioria dos religiosos do seu tempo, e, por que não, a tantos do nosso?

À guisa do pós-escrito, mais duas notas que julgo importantes. Pelo conteúdo duma carta de Herculano a um seu dialogante (o célebre Barros), parece que Dollinger (autor de O Papa e o Concilio), protestou contra o dogma da Infalibilidade, mas silenciou relativamente ao da Imaculada Conceição. Nem sempre o silêncio é sinal de aprovação. Existe um ponto comum entre Herculano, Dollinger e Wesley: Os dois últimos fundaram movimentos pararelos às igrejas oficiais, mas nunca, de sua vontade, delas deixaram de ser membros.

Cada igreja nacional, e até cada província eclesiástica, tinha (outrora) os seus usos e liberdades especiais, que a igreja universal consentia, porque que constitui verdadeiramente a unidade é a unidade da fé, disse Alexandre, e não unidade hierárquica, digo eu. Acredito numa unidade na diversidade em ralação à igreja, e, em certo sentido, em relação à Trindade, isto é, acredito na unicidade essencial de Deus e na pluralidade pessoal da Deidade. Se existe em Deus pluriunidade, como rejeitar isso para a Igreja ou para o Reino de Deus? Repito a máxima Paulina: Guardemos a unidade do espírito, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus.

António Costa Barata
Novas de Alegria, Julho de 1978




sábado, 29 de março de 2008

Herculano e a Religião (Parte II)

O autor da História do Estabelecimento da Inquisição em Portugal, era contra o totalitarismo religioso e político. Discordava do direito divino atribuído aos reis, mas de modo algum aceitaria esse título para as massas populares, como se diz hoje. Era pelo Estado de Direito que, por vezes, como a História atesta, bem tortos foram. Recordo-me do totalitarismo recente de Hitler, e da incoerência popular no tempo de Cristo, que da saudação Bendito o que vem em nome do Senhor, passou a vociferar Crucifica-o, Crucifica-o. O povo diz coisas arrevessas, como aliás certos governantes. Alexandre Herculano, e com ele, todos os homens de bem, e bem formados, nunca podem ser pela violência física ou pela desordem. Pugnarão sempre pela Lei, pelo Direito, pela Liberdade responsável (dos adultos) e Liberdade condicionada (para irresponsáveis, quer se trate de crianças ou adultos), assim como pelo progresso, pela ordem, pela moral sem moralismo, isto é, defender a moral sem deixar de defender os demais princípios sociais, como a ciência, a técnica, etc.

Dois anos depois, aparecia a Harpa do Crente, dedicado ao Marquês de Resende. Neste seu trabalho, encontramos passos como estes: Creio que Deus é Deus, e os homens livres; Irei pedir aos túmulos dos velhos religiosos entusiasmo, querendo dizer que, antigamente, havia mais entusiasmo entre os crentes, do que no seu tempo. De facto, todo e qualquer cristão precisa ser um entusiasta da fé. Os cristãos devem ser estimulados à emoção da fé, tendo por incentivo a firmeza da fé e nunca o fanatismo religioso. Alguém disse e eu creio-o: O entusiasmo enaltece o espírito, a crítica esclarece-o.

Pelo facto das igrejas evangélicas utilizarem, de sempre, instrumentos musicais no culto, acho bem transcrever esta passagem de Herculano ligada ao mundo da música: O orgão é um instrumento propíssimo para acompanhar os hinos religiosos. Os Protestantes apartando-se da comunhão romana, e fazendo voltar o culto quase a simplicidade primitiva, conservam nos seus templos este instrumento, cujos sons melodiosos, e ao mesmo tempo severos, adaptaram-se tão bem às igrejas que suscitam os cantos da igreja. O primeiro orgão, que se viu no Ocidente da Europa, foi o que mandou, em 758, Constantino Coprónimo, Imperador de Constantinopla, a Pepino, pai de Carlos Magno. Depois o seu uso tornou-se quase exclusivo dos templos. Nota agradável. Todavia, existe uma opinião generalizada de que hoje em certas igrejas evangélicas, usa-se e abusa-se de músicas de ritmos menos próprios. A música deve solenizar o culto.

No seu trabalho, Pároco da Aldeia, feito por volta dos seus 25 ou 26 anos, levado à escrita quando ainda se encontrava sob os traumas do exílio, não admira que o conteúdo seja o que é: um libelo contra o Anglicanismo (que de modo algum é o Protestantismo histórico e muito menos o Cristianismo Evangélico). Eis o que disse daquele o autor de Eu e o Clero (epístola severa contra o mau uso e abuso do catolicismo ultamontano): O puritanismo protestante achou nalgum alfarrábio velho ter sido instituído por Cristo. Tinha razão, visto que nem o puritanismo protestante, nem o catolicismo romano, devem sua existência a Cristo, pelo menos nas formas daquela época. Ainda hoje, o cristianismo evangélico, bíblico, e não biblicista, continua mal conhecido (em teoria) e desconhecido (na prática), mesmo nos países que se orgulham de [ser] Católicos ou Protestantes. As coisas começam a mudar, mas lentamente.

(Continua)


António Costa Barata
Novas de Alegria, Julho de 1978

sexta-feira, 28 de março de 2008

Herculano e a Religião (Parte I)


Há trinta anos, António Costa Barata escrevia na revista evangélica Novas de Alegria um artigo de homenagem a Alexandre Herculano, onde dissertava sobre o seu pensamento e a relação deste com a religião. É na minha opinião um bom texto que dá a conhecer ao leitor algumas ideias que Herculano tinha sobre a religião e as do próprio autor - um cristão evangélico - sobre a mesma.

Chamo ainda a atenção para o facto, referido no terceiro parágrafo, de Alexandre Herculano nunca ter aceitado os ideais da Reforma; porém, como poderemos constatar ao longo do texto, teria pelo estilo evangélico alguma admiração.

Publico este texto em jeito de homenagem a Alexandre Herculano, no dia em que comemoramos os 198 anos do seu nascimento.

Herculano e a Religião

Creio que a verdade liberta sem escravizar. No sentido cristão aceito o ensino evangélico: Se o Filho (de Deus) vos libertar, verdadeiramente sereis livres. Quanto à moral, perfilho o ideal de Herculano: A moral que não desça da Céu nunca fertilizará a terra. Antes de referir alguns dados biográficos do autor do Monge de Cister, aqui deixo a minha opinião quanto às homenagens aos homens pelos homens.

Ainda está vivo o costume de se darem flores aos mortos. Lembremos o dito popular: Depois de mortos… Não vejo mal algum no costume em si mesmo, porém o que pode ser mau, e em tantos casos o é, são as intenções. Tantos há que tratam mal os seus queridos, em vida, oferecendo-lhes as melhores coisas após o seu falecimento… Quanto não perseguiram, em vida, homens de valor, para depois do passamento dos mesmo elaborarem-lhes hipócritas mensagens! Por outro lado deve evitar-se o extremo oposto; Honrar os que ainda nada fizeram! O cristão precisa ser coerente. Honra ou censura a quem as merece

Como é do conhecimento geral, o governo português, através de uma Comissão Nacional, tem vindo e continua a homenagear condignamente o cabouqueiro da História de Portugal. Muitas entidades culturais e religiosas também promoveram várias actividades associadas ao centenário do nascimento e morte de Alexandre Herculano. Na qualidade de cristão evangélico, reconhecendo a honestidade e coragem do homenageado, aqui deixo estas linhas como preito de homenagem. Esse português, apesar de não ter aceite o ideal da Reforma, não deixou de ser um reformista. Contestou dogmas da Imaculada Conceição e Infalibilidade Papal, princípios ainda hoje contestados pela grande maioria Reformada.

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, filho de Teodoro Cândido de Araújo e de Maria do Carmo São Boaventura, nasceu no Pátio do Gil, 270-275, ali para os lados de São Bento, no dia 28 de Março de 1810, ano da terceira invasão francesa sob o comando de Massena. Depois dos estudos preparatórios com os padres oratorianos, impossibilitado de continuar os estudos, motivado pelo facto de seu pai se tornar um invisual, e não por falta de interesse ou vocação, acaba por matricular-se na Aula do Comércio, que havia sido fundada pelo Marquês de Pombal. Também aprendeu o inglês e frequentou na Torre do Tombo (= arquivo dos documentos antigos e de valor nacional) as aulas da Cadeira de Diplomática. Muito haveria a dizer acerca deste homem de múltiplas facetas, mas o local em que escrevo não é apropriado para o dizer. Prefiro focar alguns dados, do seu enorme trabalho, que estão mais ligados ao carácter desta revista – o religioso.

Na Voz do Profeta (1836), investiu Herculano contra os exageros dos revolucionários de 34. Eis algumas citações: Para as turbas o cheiro do sangue é perfume suave; o roubo uma gloriosa conquista. O Senhor nosso Deus é justo; curvemos a cabeça diante da Sua providência. Em nome do Evangelho pregou-se o ódio, a vingança e o perjuro; vestia-se então a maldade dos trajes puros da religião para perpetrar impunes crimes; então a turba se arrojou ao templo, e os largos ferros dos machados cintilaram erguidos e faziam estourar as portas. Por esta pequena amostra pode saber-se que, em tempo de mudanças, sempre aparecem os maus religiosos e políticos que arrastam após si os incautos.


(Continua)
António Costa Barata
Novas de Alegria, Julho de 1978

quinta-feira, 27 de março de 2008

A Reforma Religiosa em Portugal ou História dos Evangélicos em Portugal (Parte III)

Igreja Episcopal Espanhola

No ano de 1833 chega a Lisboa o cidadão espanhol, Dr. Vicente Gomez e Tojar, ex-sacerdote da igreja romana, forçado a deixar o seu país, não só pelas ideias liberais, mas também por convicções doutrinais, estas, depois de dialogar com os evangélicos Sinodais, em Gibraltar. Não se achando seguro ali, foi para Tânger, depois para o Brasil e Inglaterra, só depois fixou residência em Lisboa, c.1833 onde, com o apoio da Sociedade Missionária Metodista de Londres e da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, não só faz colportagem mas vem ele a fundar uma nova Igreja Evangélica, desta vez Espanhola, pois que, por força da Lei, aos portugueses era expressamente proibido aderir a outra fé que não a Católica Romana. Estávamos em 1839, ano de sua inauguração, sobrevivendo esta Igreja Evangélica até 1870.

(Continua)

António Costa Barata
Amora, 26 de Janeiro de 2001

quarta-feira, 26 de março de 2008

A Reforma Religiosa em Portugal ou História dos Evangélicos em Portugal (Parte II)

Igreja Reformada da Holanda

Não se sabe muito acerca da vida da Primeira Igreja Evangélica de Lisboa, organizada em 1641, mas sabe-se que estava instalada numa dependência da Embaixada Holandesa em Lisboa, formada por cidadãos de diversas nacionalidades e servida por ministros Luteranos oriundos de países da maioria Luterana. É possível que nela se reunissem Anglicanos, Luteranos e Huguenotes. Depois do terramoto de 1755, perde-se o contacto com tal comunidade, porém, em 1761 reaparece nova comunidade que até hoje existe: A Igreja Alemã, sita na Av. Bordalo Pinheiro, em Lisboa, sendo portanto, a família reformada mais antiga em Portugal com comunidade.


(Continua)

António Costa Barata
Amora, 26 de Janeiro de 2001

terça-feira, 25 de março de 2008

A Reforma Religiosa em Portugal ou História dos Evangélicos em Portugal (Parte I)

Em 2001 António Costa Barata escreve para a revista Vem e Vê, no âmbito de uma campanha de evangelização em Lisboa, pequenas notas sobre a Reforma Religiosa em Portugal e sobre as congregações Reformadas Históricas.


.
A Reforma Religiosa em Portugal
ou
História dos Evangélicos em Portugal


Introdução

Neste artigo apenas tenho a intenção de comunicar a quem o ler, e porventura não saiba, numa forma resumida, sobre quando na literatura portuguesa se começou a referir Lutero e os seus ideais relacionados com a necessidade de uma Reforma Religiosa do, e no, Cristianismo, ideais esses que o monge alemão e professor de teologia na Universidade em Vitenberg, na Alemanha, começou a divulgar através da publicação de suas famosas 95 teses, no dia 31 de Outubro de 1517, e não só, mas também, a historiar em forma cronológica a implantação das primeiras Igrejas Evangélicas estrangeiras e nacionais, em território Português.

Quando se falava de Reforma Protestante, falava-se de tudo o que não fosse Católico Romano mas, com o decorrer dos tempos, várias Igrejas começaram a ter identidade própria, a saber, a Igreja Lute1rana, a Igreja Calvinista, a Igreja Anglicana, a Igreja Anabaptista, e assim por diante.

Os Cristãos Evangélicos, em geral, podem divergir na forma administrativa ou nos modos de cultuar a Deus, todavia, possuem princípios comuns a todos, como por exemplo: Que Jesus Cristo é o único e suficiente salvador e que só a Santa Escritura serve para gerar fé e guiar a vivência Cristã. É verdade que existem outras fontes para gerar crenças e superstições, mas estas são diferentes da fé.

A mais antiga referência que eu encontrei na literatura portuguesa, em que se menciona o nome do Dr. Martinho Lutero, data de 29 de Agosto de 1520, encontrando-se a mesma num relatório enviado de Roma para Lisboa, da parte do representante de Portugal na Santa Sé, D. Diogo da Silva. No fim desse relatório pode ler-se:

Contra aquele frade de Alemanha Martym Luther, que la faz tantas reuoltas, fezaguora o papa humma bulla de que se ele muyto ry, segundo dizem: é esta humma cousa que tyra o sonno porque todo aquele pouo pede concílio e reformação.

Mais tarde, outros escritos continuam a falar da Reforma em geral, uns contra, como João de Barros, André e Garcia de Resende, Luís Vaz de Camões, e outros mais, mas também houve portugueses que eram simpatizantes da Reforma Luterana, a saber, Gil Vicente, Damião de Góis, Diogo de Teive, Manuel Travassos.


Segundo o investigador Isaías da Rosa Pereira, o primeiro luterano em Portugal e de nacionalidade portuguesa, seria de facto, Manuel Travassos, bacharel em cânones pela Universidade de Coimbra, condenado pela Inquisição no dia 11 de Março de 1571 e, segundo o mesmo investigador, só depois deste caso é que se efectivou a prisão do célebre cronista Damião de Góis, que nunca se confessou Luterano, apesar de conviver com Lutero e Melanchton, na Alemanha.


(Continua)
António Costa Barata
Amora, 26 de Janeiro de 2001

sexta-feira, 21 de março de 2008

Texto de Rita Mendonça Leite

A 4 de Março último, Rita Mendonça Leite defendeu publicamente a sua tese de mestrado em História Contemporânea, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com o tema:

Representações do protestantismo na sociedade portuguesa
contemporânea: da exclusão à liberdade de culto (1852-1911).


Deixamos aqui o texto de apresentação.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Páscoa cristocêntrica


São Paulo escreveu que «se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé». Eu não me permito ir tão longe. Digo apenas que a nossa fé é vã se, enquanto cristãos, não acreditarmos que Cristo ressuscitou - isto é, se não pensarmos, não falarmos e não agirmos com a firmeza dessa crença. Porque o Evangelho e o Querigma são uma coisa e outra os folclores da religião organizada. Cada um de nós é o «templo vivo» de acolhimento e celebração de Cristo ressuscitado.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

PORTUGAL NOVO – O Princípio

No dia 15 de Fevereiro de 1928 surgia em Lisboa, pelas mãos do engenheiro Belarmino J. V. Barata, o jornal da Juventude Evangélica Portuguesa.


De frequência quinzenal, esta publicação foi durante décadas uma referência no meio evangélico em Portugal pela sua qualidade e pela sua amplitude, pois não estava ligada a uma confissão específica, tendo desse modo colaboradores de todos os quadrantes do protestantismo.



Faz hoje oitenta anos.
*Peço desculpa pela qualidade das imagens.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Esperança, Augusto (n. 1928)

Augusto de Almeida Esperança nasceu em 8/2/1928 em Pias, concelho de Serpa, mas cedo vem viver para o Carrascal, Sintra, onde conhece o evangelho e se converte. Depois de terminar o curso dos Liceus entra para o Seminário de Carcavelos, onde estuda teologia, estudos que vem a completar com a Licenciatura em Estrasburgo, França (Novembro de 1952 a Agosto de 1953). Mais tarde, já pastor da Igreja Presbiteriana de Lisboa, Esperança faz uma pós graduação em Teologia, em Boston, EUA (1965-66).

Antes de completar a licenciatura, porém, já Augusto Esperança punha a sua vocação ao serviço da Igreja. Augusto Esperança serve de 9/12/1950 até 30/4/1951 na Igreja do Mirante, Porto, no quadro duma solicitação feita pela Igreja Metodista Portuguesa à Junta Presbiteriana de Cooperação, e depois, ainda como evangelista, na Igreja da Figueira da Foz (30/4/1951 a 7/10/1951) e na Igreja Presbiteriana do Salvador, no Montijo (7/10/1951 a 30/9/1952). Ordenado pastor em 29/10/1952, durante o 1º Sínodo da IEPP, na Igreja Evangélica Lisbonense, Augusto Esperança vai, depois de completar os estudos em França, servir na Igreja da Ajuda (Agosto de 1953 a 15/10/1953) e na ilha de S. Miguel, açores, (15/10/1953 – 22/7/1956), onde é muito apreciado e bem sucedido. Regressado dos Açores, Esperança passa a ser responsável pela Igreja da Figueira da Foz, de que toma posse em Setembro de 1956 e onde fica até Setembro de 1960. Eleito Moderador do Sínodo em 1959, Augusto Esperança é colocado na Igreja Presbiteriana de Lisboa (Rua Tomás da Anunciação), onde fica até 1969 e onde desenvolve um trabalho pastoral e evangelístico notável.

Augusto Esperança foi presidente da Aliança Evangélica Portuguesa (1967-69), tendo nessa qualidade promovido uma importante campanha de evangelização no Pavilhão dos Desportos (actual Pav. Carlos Lopes), em Lisboa. Em 1969 foi nomeado secretário da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira que, sob a sua direcção, se transforma em Sociedade Bíblica de Portugal. Na Sociedade Bíblica Augusto Esperança faz assinalável obra, pois, além de autonomizar o trabalho criando a SBP (18/1/1989), consegue adquirir uma sede adequada na Rua José Estêvão, 4-B, em Lisboa, e formar uma comissão de tradutores que prepara uma nova versão da Bíblia em português corrente, que, depois de editada, foi muito bem recebida. Esperança deixa a Sociedade Bíblica de Portugal em Setembro de 1997, data em que se aposentou.

Esperança foi ainda, durante quase trinta anos, representante dum trabalho de diaconia que a EPER (Entraide Protestante de l’Église Reformé Suisse) manteve em Portugal através da IEPP, e que beneficiou milhares de crianças, chegando a haver cerca de 700 inscritas por ano. Foi ainda o Vice-Presidente da Comissão Executiva da IEPP entre 1996 e 2002.
É casado com a Dra. Felícia Fiandor Esperança, de quem teve dois filhos.

Homenagem da Sociedade Eduardo Moreira nos oitenta anos do pastor Augusto Esperança.

Moreira, Eduardo (1886-1980)


Eduardo Henriques Moreira nasceu na cidade de Lisboa no ano de 1886, vindo a falecer em Paço d’ Arcos noventa e quatro anos depois, precisamente no ano de 1980.

Os pais do escritor, do professor de escola dominical, do escoteiro e um dos fundadores do escotismo em Portugal, do evangelista, do poeta, do empregado de escritório, do jornalista, do presbítero, do pastor, do assistente espiritual a reclusos, do nomeado capelão do Exército Português em 1917, do vereador e vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, do historiador, do secretário-geral da União Cristã da Mocidade do Porto e posteriormente acemista, do ilustrador, do mação, do cónego Eduardo Henriques Moreira, foram José Henriques Moreira e de Maria dos Anjos Henrique Moreira.

Concluída a instrução normal na cidade de Évora, Eduardo Moreira, a par do emprego, estuda no Ateneu Comercial, no Instituto Real de Lisboa, com os Professores Rosa Machado, Damasceno Nunes e Rosa Belo, entre outros. Aprendeu o grego e, com Erasmo Braga, recebeu alguma luz do hebraico. Livre do serviço militar, contraiu casamento, em 1907, com Laura Rosa Ferreira de Almeida, que lhe daria três herdeiros: Gustavo Adolfo Henriques de Almeida, Ernesto Rodolfo Henriques de Almeida e Maria Elisama de Almeida Moreira , a única que continua vivente e com mais de noventa anos de idade. Eduardo Moreira casou em segundas núpcias com Laura de Campos e Castro, da qual não deixou herdeiros.

Para além dos diversos cargos que ocupou, como acima referimos, começou a aprofundar matérias teológicas desde verdes anos, aliando o seu nome a congressos e a diversas revistas evangélicas, a missões em Africa, à Sociedade Bíblica, à Aliança Evangélica Portuguesa, ao Instituto Histórico do Minho e à Universidade de Coimbra. Foi ministro das igrejas Congregacional, Presbiteriana e Lusitana.

Desde os seis anos de idade que Eduardo Henriques Moreira se inclinava para as letras e esta foi a sua grande paixão. Assim, fundou vários jornais e publicou dezenas de trabalhos literários. O Comendador Manuel dos Santos Guerra, em 1980, dizia que Eduardo Moreira “deveria ser o protestante português mais importante do século XX, e talvez, um dos maiores na Europa”.

Bibliografia:
Portugal d’ Aquém e d’ Além Mar, Dezembro,1979.
Portugal Evangélico, Abril/Maio, 1980.
Manuel Pedro Cardoso, Sempre Pronto, Maio, 1980
Novas de Alegria, Junho, 1980.

Apresentação

Quem somos:

A Sociedade Eduardo Moreira é um grupo informal criado em 2006 com o objectivo de estudar, debater e divulgar a história do Protestantismo em Portugal. À nossa sociedade demos o nome de “Eduardo Moreira”, figura incontornável do pioneirismo protestante português e cuja obra deixou importante testemunho do estabelecimento das primeiras confissões protestantes em Portugal e do respectivo impacto social.

A Sociedade Eduardo Moreira é um grupo informal sem orgânica associativa. Os seus membros têm contribuído académica e profissionalmente para a promoção da história do Protestantismo, daí, por afinidades ao âmbito do seu estudo, encontram-se regularmente.

A associação à Sociedade Eduardo Moreira é feita por meio da afinidade. Deste modo, os membros sugerem ou convidam outros a integrar ou a colaborar com o grupo.

Membros da Sociedade Eduardo Moreira e autores do Pioneiro Protestante:

António Costa Barata
David Valente
Luís Aguiar Santos
João Paulo Henriques
Rúben Baptista de Oliveira
Timóteo Cavaco

O que fazemos:

A Sociedade Eduardo Moreira reune-se regularmente para debater temas, realiza e participa em conferências e edita artigos e o Pioneiro Protestante.~

Pioneiro Protestante:

O Pioneiro Protestante é o órgão informativo da Sociedade Eduardo Moreira. Embora tenha o formato de blog, pretendemos que este suporte evolua para um sítio informático que possa conter os principais conteúdos sobre a história do Protestantismo em Portugal e um arquivo bibliográfico e documental sobre o tema.

Os textos aqui colocados são propriedade intelectual dos autores, não devendo ser reproduzidos sem a autorização dos mesmos.

Contactos:
Comentários, sugestões, artigos, estórias, eventos, efemérides, fotos e todo o tipo de colaborações são bem-vindas através do e-mail
o.pioneiro.protestante@gmail.com


[Texto de João Paulo Henriques]
 
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